Oh my God, GOP

Todas as corridas pela nomeação do Partido Republicano para as Presidenciais Americanas são sempre dignas de umas boas gargalhadas. Esta, no entanto, é particularmente interessante – leia-se risível – por vários motivos (ou por vários candidatos. O que ficar melhor). A saber:

– Mitt Romney. Ora, Romney parece aqueles miúdos que, quando estamos a jogar à bola na primária, ninguém quer escolher para a sua equipa. E ninguém nunca quer dizer porquê. Até já li tentativas de explicação baseadas no facto de Romney ser “demasiado rico”. Mas estamos a falar dos EUA, pelo amor de Deus. Mesmo com o Occupy, com a crise financeira e económica e com as desigualdades em crescendo, é a América. Ser rico não é, nem nunca foi um problema. O problema de Romney, diga-se de uma vez, é ser Mórmon. E isso nunca caiu bem. Ora, enquanto houve candidatos que foram capazes de afastar Romney da pole position, óptimo. Agora que não há, até Gingrich (já lá iremos) aparece com hipóteses. Parece que para o Partido Republicano, qualquer pessoa é melhor que Romney para receber a nomeação do Partido.

– Ron Paul. Ora, este sofre mais ou menos do menos síndrome que Romney. Ao menos, aqui, é mais lógico. Um candidato que quer eliminar as bases militares americanas no estrangeiro e é tão marcadamente libertário não consegue atrair a maioria dos eleitores republicanos, num partido há décadas marcado por um crescente de importância da corrente mais conservadora*.

– Gingrich. Gingrich faz-me lembrar Santana Lopes. Com uma lata ainda maior, confesso. Acusar Romney de ser demasiado capitalista e ainda assim conseguir algum eco dessa afirmação, num GOP tão marcadamente anti-estatal, mostra bem o desnorteio a que chegou o partido na ânsia de escolher anyone else but Romney, quando Romney devia estar a ser elogiado, pelo menos segundo aquilo que me parece a lógica do GOP, pelo seu sucesso enquanto gestor. Outra das acções de campanha que Gingrich escolheu contra Romney foi o facto de ser imoral. Tenham juízo: ele é Mórmon. Mais moral que ele é impossível. E isto foi o tal que pediu um casamento aberto. Mas também, desde que se acusa candidatos de falar francês, vale tudo. Eu acho que Romney usa ceroulas. E lá no fundo, deve ser um comunista islâmico. É. Tenho a certeza, agora que penso melhor nisso, até porque o Estado anda a roubar-nos com impostos. Fez sentido? Não. Mas pelos vistos não é suposto. O eleitorado americano moves in mysterious ways.

– Bachmann & Tea Party. Lembro-me de ler que Bachmann tinha anunciado a sua candidatura porque “Deus lhe tinha pedido”. Visto que a retirou, calculo que seja pela mesma razão. Valha-nos Deus. Mas agora a sério (se é que é possível), há aqui um aspecto que é importante salientar: o facto de o Tea Party se ter mostrado – felizmente – um bluff. Como apontou Fareed Zakaria, a verdade é que, aparentemente, os republicanos continuarão a nomear os candidatos mais fortes, os que já se tinham candidatado anteriormente e ficado em segundo. E o Mundo pode respirar de alívio. Por agora.

– Perry, Cain: Obrigado.

– Santorum, Huntsman. Passo.

*Obama grabs popcorn*

*corrente essa que, actualmente, substituiu o marxismo na campeã no campeonato daquilo que chamaria “hegemonia da vulgata”: os chavões do pensamento marxista deram lugar à vulgata anti-estatal que polvilha o discurso conservador, sobretudo o americano (mas não só) e que pode ser apreciada no maior concorrente do Daily Show, a Fox News.

P. S. – Deus não foi a palavra mais usada aqui por acaso.

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