Filme do mês – Made in Dagenham (2010)

Malgrado o título em Português por este filme recebido – um cliché e nada apelativo “Igualdade de Sexos“, este filme merece o destaque pelas mesmas três razões de que é feita a trindade do destaque: história, representação, guião.

Em vésperas de Dia Europeu para a Igualdade Salarial – 2 de Março – Made in Dagenham é escolhido como filme do mês pela história que nos traz – a história dos meandros das primeiras lutas equal pay, numa fábrica da Ford, em 1968.

Sally Hawkins presenteia-nos com uma representação cativante de uma mulher trabalhadora, Rita O’Grady, que conquista a confiança das suas pares e do seu representante sindical mais directo, o que a conduz, a ela mesma, progressivamente, às lides sindicais.

Enfrentando um patronato desprevenido, um sindicato fechado sobre a sua estrutura patriarcal e um ambiente socio-político hostil, a mobilização das trabalhadoras da Ford em Dagenham valeu-lhes, mais tarde, um avanço considerável na melhoria das suas condições de trabalho e numa redução da desigualdade salarial que se lhes assistia.

Representação e história faladas, evitando o spoiler que seria, certamente, penoso para  o/a leitor/a menos curioso/a, merece-nos atenção o guião, pela sua escrita cuidada, com a inclusão de deliciosos detalhes que para quem, como nós, se deleita com o sistema político, surgem como um forte bónus na visualização deste filme. São exemplos destes detalhes a caracterização dos sindicatos como organizações altamente permeáveis à partidarização – facto que é sobejamente conhecido – e os seus líderes caciques e desligados dos interesses para os quais quem os elegeu se organizou em sindicato. A resistência misógina das estruturas sindicais é, também, no filme registada, o que me mereceu redobrada atenção depois de, no Verão passado, ter lido o livro Feminismo e Marxismo. As vicissitudes da organização familiar em torno do “pai de família” são também evidenciadas, o que dá para questionar até a leviandade da semântica utilizada, como se pode ver no clipe abaixo (rights, not privileges).

E aqui fica o trailer:


Este filme recebe, claramente um 9 em 10. Despachem-se a comprá-lo ou alugá-lo antes do início do Black March ou optem por outras vias que ficarão subentendidas… mas vejam :).

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