Mobilidade é um forte mas não é o nosso

A mobilidade (ou a falta dela) tem vindo a ser um tema posto em cima da mesa nos últimos tempos e, pessoalmente, considero uma gap do povo português.

Actualmente, para além de a emigração estar a aumentar novamente, o povo português consegue ser ainda caracterizado pela sua pouca mobilidade. Quando há uma oportunidade de sair do país, de ir à procura de condições de vida melhores e de tantos outros motivos, tendemos a criticar tudo e todos que (por algum motivo na nossa cabeça) nos impedem de sair da nossa terra mãe. Fazemos de tudo para que essa situação seja de difícil concretização ou que não aconteça mesmo.

O português, para além do típico calão é aquele que se tenta adaptar, sem nunca parar de se queixar da sua situação, mesmo que até seja favorável. Exige mas nem sempre contribui.

Será o medo da instabilidade que se vive nos outros países? Será a falta de meios para se deslocar? Será o receio de abdicarem de qualidade de vida em Portugal e trabalharem a sério no estrangeiro? Será medo de cortar relações familiares? Insegurança pessoal?

Com vários projectos internacionais para o mercado de trabalho, nomeadamente na área da Saúde com o “Moving People”, que dá a oportunidade de jovens licenciados ou até de trabalhadores mais experientes na área de exercerem a sua actividade no estrangeiro , qual será ainda o receio?

Será que as mentalidades estagnaram no tempo em que as pessoas têm agora medo de apostar o seu futuro no estrangeiro quando talvez possa ser o mais favorável? Será que o desemprego não poderá ser realmente uma oportunidade, como Passos Coelho mencionou há uns dias atrás?

Todavia, será que só podemos culpar o Estado dessa ausência de condições? O que aconteceu ao famoso pé de meia que as famílias preferem muitas vezes não fazer (mesmo que consigam) para ter mais bens materiais e alimentar uma sociedade de aparências? Como muitos estudiosos em economia referem, a poupança pode ser e é sinónimo de investimento. A partir dessa ideia, todo um conjunto de meios para atingir um fim (e não, não estou a mencionar somente Maquiavel) poderia conduzir a um negócio em que com ideias inovadoras e em que não houvesse muita competitividade no mercado, tornar-se-ia bastante rentável e até duradouro.

É já um dado adquirido que atravessamos uma grave crise económica, em que os nomes de ordem passaram a ser Passos Coelho, Troika e Merkel. Os dois últimos ao impôr medidas para os países da União Europeia “entrarem no eixo”, passaram a ser designados os lobos maus da história económica e social europeia do século XXI.

Neste mundo pós-moderno, neste 2012 com uma ausência de noção do que se anda a passar e quem somos nós no meio disto tudo, todas as partes acabam por ser influenciadas. Desde homens, mulheres, jovens, adultos, empregados ou empregadores; todos eles andam negativamente à mercê das novas decisões. 

Todos eles, partes constituintes do mercado de trabalho têm vindo a apresentar fragilidades. Mas, não pensemos que se baseia somente no modelo económico adoptado por Portugal (que é igual em muitos outros países) porque afinal, que país é que não é influenciado por outro ou outros? Não culpemos só a Troika, a Merkel ou o Senhor Primeiro Ministro mas sim todos nós.

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2 thoughts on “Mobilidade é um forte mas não é o nosso

  1. Mafalda Rodrigues diz:

    Como leitora do instituto público, comento! Gostei muito do texto 🙂

    Obviously, isto é coisa que nunca passaria por (quase) nenhum membro do zé povinho português.
    Esta inércia que nunca se desapega de nós é, para mim, como uma alergia. Aquela que faz espirrar, que dá comichão, que cria bolhas na pele; mas que não é o suficiente para nos levar ao médico. Gastamos uns dinheiros nuns lenços de papel e nuns anti-histamínicos e estamos como novos.
    Clearly, a metáfora acaba aqui. Esta inércia não é tão inconsequente como a alergia e, infelizmente, não é resolvida com uma simples receita médica.
    Esta “alergia” (continuando a estúpida metáfora) é, como apontaste e muito bem, culpa nossa. De todos nós. Esta nossa capacidade de estacionarmos em qualquer lado e lá ficarmos o resto da nossa vida é, não só incómoda, como (muito) grave.
    A troika, a merkel, o ppc e todos os ingredientes à mistura não ajudam. Mas, vendo bem, o nosso comportamento também não.

    • adrianafontescorreia diz:

      Obrigada pelo feeback positivo Mafalda 🙂 De facto, o zé povinho português tenta sempre pôr a culpa no outro ou nos outros quando a iniciativa tem de partir de nós, quando as próprias mentalidades têm igualmente de mudar.

      Portugal tem todo o potencial para ser um país de sucesso por isso há que contribuir para isso!

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