O sôr Dívida, um criminoso internacional.

Ultimamente domina-nos a todos uma paranóia, um medo de sermos apanhados por um criminoso que anda por aí a monte. Apresento-vos o sr. Dívida. Um perigoso bandido, o sr. Dívida foge de país para país, acumulando vários nomes de guerra: défice, dívida pública, envididamento público, buraco nas contas públicas. Ninguém o parece conseguir conter. O sr. Dívida acumula cadastro em diferentes países.

Enquanto criminoso que é, vários países já emitiram um (vários!) mandatos de captura internacional. O FMI, qual Interpol, anda a fazer buscas em vários países, em conjunto com o BCE e a CE, qual Europol. Eles querem capturar o sr. Dívida morto ou vivo. Custe o que custar. O desespero das autoridades em capturá-lo leva a que se tomem medidas extremas, sem consideração por quem não tem qualquer relação com o rol de crimes praticados pelo sr. Dívida.

A continuar assim, vamos todos ficar cegos. Já estamos a criar cataratas, aliás. Vamos reduzir todos os nossos padrões, numa tentativa inútil e masoquista de baixar custos: os nossos primeiros-ministros, que de executiva passaram para económica, vão passar a viajar na Ryanair, concorrendo a todos os passatempos que possam para ganharem viagens grátis; os deputados hão-de ganhar todos o salário mínimo. Vamos todos comer Big Macs, porque é mais barato e não há dinheiro para mais. Qualquer dia havemos de começar a ser pagos em géneros e vamos todos acabar numa economia de trocas informais, com os trocos que temos já há muito evaporados em impostos para pagar…dívidas. Vai demorar mesmo muito tempo até percebermos que a austeridade-sem-amortecedores é mesmo um ciclo vicioso.

Claro que vai haver quem ler isto e pensar “lá continuam estes esquerdalhos mal informados que não percebem que a festa acabou, que o Estado não tem dinheiro, que não há alternativa sem ser reduzir o Estado e pagar as dívidas”. Em Portugal, ao contrário de muitos países europeus, a dívida que realmente preocupa é a dos privados. E temos, claro, de fazer alguns cortes e implementar medidas de austeridade para equilibrar as nossas contas públicas. Ninguém no seu perfeito juízo nega a necessidade de reformar certos sectores da economia. Mas sem nada que faça estancar a sangria nunca vamos conseguir equilibrar nada.

De resto, vemo-nos na fila do McDonalds. Uns por inevitabilidade, outros por vontade própria. Ah!, o livre arbítrio, sempre a funcionar tão bem.

Anúncios

One thought on “O sôr Dívida, um criminoso internacional.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s