Então, Álvaro?

Então, Álvaro? Nunca mais ouvi nada vindo de ti! Como é que estás? Ainda existes?

 

Por aqui a vida está difícil. Sabes aquele teu colega com as olheiras? E não são só as olheiras, ele é lento como tudo a falar. As olheiras e a retórica dele…parece sempre que andou a fumar aqueles cigarros que fazem rir. Mas epá, o gajo é tramado. Sei que concordas comigo. Tu, eu e o resto do país temos um ponto em comum: o Gaspar chegou e tirou-nos coisas. A nós, dinheiro. A ti, competências. No plural, claro, no singular não, longe de mim chamar-te incompetente. Mas epá, aquele Gaspar é perigoso. Aliás, se calhar a ti também te tirou dinheiro. Ora vê lá a tua carteira outra vez. Ah pois…aquele menino não brinca.

 

Olha, estou a escrever-te porque não sei por onde andas. Acho que já te disseram, mas eu relembro-te: és ministro, pá. E logo da economia. Não te deram nem o ambiente, que a Assunção Cristas varreu isso a novenas, nem a cultura, que não existe. És ministro e logo de uma pasta toda vistosa. Ora, a pasta é vistosa e, lá está, nós precisamos de pasta. Tu é que estás cada vez menos vistoso, Álvaro. Não sei o que é que é feito de ti. E o pessoal tinha imensas expectativas! Vinhas do Canadá e tinhas um superministério com um título todo rococó à tua espera. Claro que estavas condenado ao fracasso: fizeste o caminho inverso àquele aconselhado pelo teu próprio governo. Isto de imigrar para Portugal já está batido, agora a moda é ir (voltar?) para o…Canadá, por exemplo.

 

Depois também foram mauzinhos contigo, é verdade. Começaram a tirar-te competências (no plural, claro. Acho que não consigo enfatizar suficientemente a tua competência). Logo à frente veio o Gaspar e tirou-te o QREN. Foi um grande golpe, Álvaro. Não sei como é que te aguentaste, ainda para mais porque depois apareceram o Passos e o Relvas (epá, já viste? Parece que andou a pressionar jornalistas e tal. Logo o Relvas, um gajo tão pacato! Estou chocado) e tiraram-te outras responsabilidades. Foste assaltado pelo teu próprio governo. Acho que eles te trouxeram do Canadá só para gozar contigo e mostrar ao pessoal que bom mesmo é emigrar, quem faz o caminho inverso não se safa.

 

Nunca mais te ouvi dizer nada e tenho pena, pá, tenho mesmo. O Manel, que foi ministro antes de ti, também contava umas piadas giras como aquela dos chineses (por esta lógica, o Futre devia ser o próximo ministro. Mas só quando deixares), mas tu fizeste questão de não deixar o legado cair. Para começar, pediste logo ao pessoal para te tratar por tu e chamar-te Álvaro. Claro, não te dás ao respeito e depois estás à espera que o pessoal te respeite? Nem o teu próprio governo, quanto mais o resto!…

 

Mas olha, ouve lá uma coisa: e isto da economia, em que é que ficamos? O que é que andas a fazer, Álvaro? O pessoal está a ficar sem dinheiro e sem maneira de o recuperar. Dava jeito apareceres com umas ideias e tal para dar a volta a isto. “É a economia, estúpido!” – atenção, está entre aspas. Eu sei que tu és mesmo muito competente, e até escreveste uns livros janotas sobre a economia portuguesa. Bora lá relê-los então?

 

Pensa nisso.

Ou então não.

 

Fica bem, pá. A ver se combinamos uma saída no próximo fim-de-semana!

 

Abraço,
Rodrigo

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3 thoughts on “Então, Álvaro?

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