Mas que futuro?

Numa altura em que a crise económica, social mas também política permanece na Europa e, no nosso caso mais próximo – o caso português – , torna-se necessária a abordagem acerca das falhas ocorridas até à data para esta conjuntura nada favorável.

Deste modo, venho hoje abordar sobre uma instituição indispensável para qualquer economia. Refiro-me à banca e à sua distribuição ou gestão de crédito em países tão falados nos últimos tempos como a Alemanha, a Grécia e Portugal.

Assim, enquanto a banca concedia nos últimos anos mais empréstimos ao sector imobiliário na Alemanha, na Grécia a maior preocupação ia para o próprio governo e para a banca. Já Portugal era relativamente equilibrado uma vez que cedia crédito a ambos os sectores mencionados anteriormente. Isto traduz uma necessidade urgente de haver visões a médio e longo prazo cujos governos destes três países não têm conseguido dar resposta.

Mas querendo reflectir ainda um pouco sobre o passado da União Europeia, uma vez que é com o passado que conseguimos perceber melhor o presente, considero que tenha havido três principais falhas institucionais.

Em primeiro lugar, falta uma obrigação segura. Isto é, por um lado os bancos não devem deter tanta dívida do seu Estado Soberano e por outro a quebra do lado geográfico dos fluxos de capital devia ter sido feita desde o início. Isto contribuiu inevitavelmente para o receio dos bancos irem à falência e numa generalização da aversão ao risco com a maior participação do Estado nos mercados financeiros.

De seguida temos a falta de garantia dos depósitos e a regulação bancária. A melhor explicação para isto será o facto dos bancos serem grandes em relação ao seu país, não em relação à Europa. Temos o exemplo perfeito do BCP que é considerado uma “migalha” na Europa e está a decair e atinge mínimos históricos.

Por último quero referir ainda a incerteza sobre a reacção a uma crise da dívida e a realidade de alguns estados terem-se endividado em demasia. Mas sem falar dos estados excessivamente endividados, é importante mencionar o grande risco que a Grécia tem representado nos últimos doze meses devido ao seu regime insustentável. Desde a sua incapacidade de implementar reformas, de pagar impostos ou até de eleger um governo, a Grécia é capaz de tudo, um triple treat digamos.

Todavia, a ameaça hoje passou a ser a nossa vizinha Espanha. Os mais críticos dizem que a sua dívida é demasiado grande, outros mais pragmáticos perguntam-se quem irá suportar as perdas, quem irá re-capitalizar os bancos (quando o montante é de 200 mil milhões contra os 80 mil milhões de Portugal) e, afinal, qual será o papel do BCE no meio disto tudo? Pois bem, eu faço todas essas perguntas e respondo com um “Basta de hesitação e especulações!”.

Para além disto tudo, aliados como o trabalho, o capital físico, o capital humano e a produtividade representam o conjunto dos factores necessários para que uma economia funcione da forma mais favorável. Foram esses mesmos aliados que, especialmente nos anos 80, Portugal não soube potenciá-los e que ainda hoje tem dificuldade em fazê-lo.

A fraca qualidade de ensino bem como os insuficientes anos de escolaridade praticados durante décadas representaram grandes falhas que ainda não conseguiram ser completamente colmatadas. Contudo, gostando mais ou gostando menos e ideologias à parte, foi com o governo PS de Sócrates que mudanças no ensino começaram a ser feitas. Já o governo actual do PSD tem vindo a realizar “reformas estruturais” relativas à produtividade e ao capital humano, eliminando trabalhadores preguiçosos das empresas ou baixando os salários e sobrecarregando as mesmas com custos adicionais.

Para não sermos apagados do mapa, uma das nossas melhores armas passa mesmo é por não sermos velhos do restelo, olhar para fora e saber competir nos mercados externos. Importa realçar que a nossa economia não é suficientemente competitiva ou exigente e está nitidamente dependente da Europa.
É aqui que se insere um dos temas mais debatidos nos últimos tempos. Estou falar do programa de reajustamento da nossa economia. Tornar o mercado mais transparente, mais competitivo, menos burocrático ou traçar objectivos mais definidos do que se pretende no futuro integram esses planos. A questão é saber implementá-los e tirar benefícios daí, nomeadamente o aumento de representações externas das empresas nacionais.

Mas uma vez que só de economia não se trata Portugal, passemos em tom de curiosidade, a outros pontos mais negativos indicados pelos elementos internacionais disponíveis online. Desde a eficiência dos tribunais, a eficácia da administração, a confiança dos políticos, a eficiência do mercado de trabalho, o constante défice no saldo orçamental, a baixa taxa de poupança, até à qualidade da educação e formação do pessoal; todos estes factores representam negativamente o nosso país. Já os pontos mais favoráveis vão para a forte implementação da tecnologia e apoio à inovação que são tendencialmente usadas é para alimentar a nossa sociedade de consumo e não tanto para a evolução e produção do país.

Fecho este tema com algumas perguntas. Onde está a social democracia? Ela existe sequer? Onde existe um projecto real e concretizável para Portugal? Ele existe sequer? E qual é o futuro para Portugal? Ele é risonho sequer?

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