As autárquicas, os partidos e os eleitores

São 13 horas de 30 de Setembro de 2013. As contagens sobre o resultado das eleições autárquicas ainda não estão terminadas. Numa nota divulgada pelo departamento informático do ministério da Justiça e pela DGAI para a agência Lusa, e, com 71 freguesias e 32 câmaras por apurar, os jornais dão conta da falta de comunicação entre as entidades mencionadas e as juntas de freguesia e câmaras municipais.

Com estas declarações recentes e, tendo em conta o impacto da Comissão Nacional de Eleições não permitir a transmissão televisiva de todos os candidatos para as eleições autárquicas, novas declarações surgiram no Público por parte do presidente do PSD: “Passos Coelho reconheceu que a decisão dos canais de televisão de não fazerem cobertura local da campanha é sui generis. E não quer que se volte a repetir.”
No entanto, não foram só nas emissões televisivas que os candidatos tiveram dificuldade em passar a importância desta tomada de decisão, a nível local, este domingo. Nas redes sociais, as eleições autárquicas não alcançaram suficiente importância para serem partilhadas nos milhares de murais portugueses (excluindo claro está o conjunto de “tesourinhos” dos candidatos). Em plena era digital, os representantes e os representados, desmobilizaram-se do seu dia-a-dia facebookiano e twitteriano, mas nem todas as razões deveram-se à deslocação à boca das urnas.
Relativamente a considerações eleitorais … É claro o desgaste dos partidos do actual Governo. Os resultados de 2009 marcaram, individualmente ou em coligação, 43,11% e 140 câmaras entre o PSD e o CDS. Já nas legislativas em 2011 “o PSD e CDS tiveram 50,37% e 132 deputados, tendo o PSD sozinho 38,66% e o CDS 11,71%”. Em 2013, as percentagens são outras.
Até ao momento e, com vitórias em Ponte de Lima, Albergaria-a-Velha, Vale de Cambra, Velas e Santana, o líder do CDS afirma que “onde ganhámos, ganhámos juntos; e onde perdemos, perdemos juntos”, ao mesmo tempo que alerta sobre a descida nas zonas urbanas. O líder ainda realçou o resultado do CDS como “um dos factos menos esperados por alguns nesta noite eleitoral”.
Contança Cunha e Sá no Telejornal da TVI às 20h36 apelida como “queda dos dinossauros, especialmente do PSD”, a derrota global dos partidos presentes no governo. Mas não foram só os jornalistas que comentaram os primeiros resultados. O Presidente da República também o fez.
Cavaco Silva é questionado sobre a eventual demissão do primeiro-ministro social democrata e  responde que “as eleições autárquicas dizem respeito a cada junta de freguesia do nosso país, a cada concelho do nosso país e que não se espera que esta derrota autárquica da maioria venha a provocar grandes consequências imediatas sobre o Governo”.
Ao ter participado nas sondagens do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica de Lisboa, a projeção das eleições autárquicas relativamente à vitória com maioria absoluta do tão apelidado “amigo Costa ”pelos lisboetas não foi surpresa. E, apesar de perder Braga, Évora, Beja e Loures, o Partido Socialista adquire uma clara vitória nestas autárquicas. Atinge a maioria das câmaras (133) e conquista a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (não detinha este poder desde a derrota autárquica de António Guterres, em 2001). A legitimidade do PS sai, assim, reforçada.
A Coligação Democrática Unitária, nomeadamente o PCP e o PEV, vêm a sua percentagem global subir, ao mesmo tempo que recupera Beja, Évora, Loures, Alcácer do Sal e Silves. Uma vitória política expressiva. Por outro lado, o Bloco de Esquerda desaparece, eleitoralmente, ao perder a única câmara que tinha, em Salvaterra de Magos.
No que diz respeito aos movimentos independentes, estes conquistaram igualmente uma significativa força.  A vitória de Rui Moreira no Porto demonstra isso mesmo com um possível “alerta sobre o nível de desgaste que existe na relação entre os partidos políticos e os cidadãos”.
Entre discursos politicamente correctos enquanto os partidos iam recebendo os resultados das projeções, nota-se já uma leitura nacional em que  os independentes começam a ganhar cada vez mais peso na política, que a CDU reaparece a conquistar um número significativo de câmaras, uma clara derrota do PSD e a possível maior vitória do PS numas autárquicas.
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s